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  • Jorge Vinicio

Dear Evan Hansen falha em adaptar o musical da Broadway | Crítica


A adaptação do grande sucesso da Broadway tem amargado em críticas desde sua estreia no Festival de Toronto, e embora eu discorde de muitos dos apontamentos, é inegável que o filme foi mal-executado, principalmente quando se trata da direção.


Dear Evan Hansen conta a história de um adolescente que sofre com ansiedade e depressão, que um dia, se afunda numa mentira envolvendo um colega de escola que cometeu suicídio. O musical já gerou muita controvérsia quando estreou anos atrás, mas ainda assim foi muito premiado. Eu não vejo o mesmo acontecendo com o longa, especialmente por causa da direção.


Stephen Chbosky, conhecido por filmes muito bons como As Vantagens de Ser Invisível (2012) e Extraordinário (2017), traz um olhar que pouco acrescenta para a narrativa. Na verdade, eu diria que ele retira muito do impacto que o espetáculo tem, especialmente nas cenas musicais. Os enquadramentos, direção de atores e sequências que parecem se descolar de todo o filme. Um exemplo disso é a sequência de Sincerely Me. Enquanto todas as canções ganham uma versão sóbria até demais para um musical, em Sincerely Me os atores dançam e sobem em cima da mesa como em High School Musical. E isso não se justifica pela sonoridade ser mais para cima, já que a discrepância se torna muito grande.


Mas o filme traz algumas melhorias em termos de roteiro, principalmente ao retirar do protagonista o peso de vítima e responsabilizá-lo por suas atitudes. Eu entendo quem não consegue se simpatizar pelo Evan, mas também entendo quem chora ao assistí-lo. Evan, mesmo não sendo inocente quanto a mentira que comete, não é tampouco um sociopata como alguns já alegaram. Ele é um jovem que sofre de doenças mentais, e por causa de sua ansiedade, simplesmente deixa as coisas acontecerem por medo de magoar alguém.


Outro ponto que merecia ser melhorado seria a identidade de Connor, o jovem que comete suicídio. Tudo começa com sua morte, mas ainda assim eu senti muito uma necessidade de ver mais sobre o personagem. Quando isso não acontece, basicamente se faz do suicídio um mero recurso narrativo, e isso é bastante perigoso.


Na minha opinião, o ponto positivo do filme está justamente na escolha de colocar Ben Platt para reprisar o papel que criou na Broadway. Há uma cena em que ele canta debaixo de uma árvore que é impossível de não chorar ao assistir, tamanha é a entrega de Platt. Por mais que tenha 27 anos, sua presença não altera nossa suspenção da descrença. Acreditamos que ele tem 17 anos. Há momentos em que ele parece deslocado enquanto ator, muito mais que o deslocamento que Evan sente na sua escola, mas me parece muito mais um problema de direção.


No restante do elenco, temos atuações boas, porém também apagadas pela direção. Julianne Moore, que interpreta a mãe de Evan, brilha em seu momento musical, mas poderia brilhar muito mais se a direção não tivesse decidido por só alternar entre 3 enquadramentos durante toda a canção. Há de se fazer menções honrosas aqui para Amandla Stenberg e Amy Adams, que trazem mais camadas para suas personagens.


Como fã de Ben Platt, eu estava ansioso para ver Dear Evan Hansen na temporada de prêmios, mas dificilmente isso irá acontecer, ainda mais com uma versão em CGI a lá Cats a caminho apenas para deixar o protagonista mais jovem. Chbosky entrega uma direção preguiçosa e não consegue aproveitar muito o elenco de peso que tem. Todavia, é um filme divertido, mesmo com suas falhas. Fiquei emocionado e cantei junto, só não entrou na lista dos meus filmes favoritos.

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